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Era uma vez… Fusível emMaputo!

 

Um dos mais conhecidos e respeitados rappers portugueses esteve em Maputo para uma noite memorável de Hip Hop. A sua actuação era aguardada desde que se noticiou a sua vinda à Pérola do Índico. No dia 15 de Novembro, o artista fez-se ao palco de Centro Cultural Franco Moçambicano e na companhia de outros rappers locais desferiu muita poesia assombrosa para a satisfação de uma legião de “amigos” que se fez àquele local para o ver e ouvir. Era uma vez, o Inspector Mórbido em Maputo.

O céu estava nublado e as nuvens ameaçavam descarregar a qualquer momento uma pesada chuva. O recinto do Centro Cultural Franco Moçambicano mantinha-se pouco povoado e já faltavam poucos minutos para as 18 horas, período marcado para o início do espectáculo. O ambiente já denunciava que, contrariamente ao que era de se esperar, a casa não estaria cheia para receber e acolher o Fusível.

O INÍCIO

De facto, o espectáculo iniciou precisamente as 18:30, a casa com muito pouca gente. Os que lá se encontravam rondavam os 50 e foi neste momento que o Mestre de Cerimónia, Hélder Lionel, apresentador do “Clássico Hip Hop Time”, anunciou a entrada em palco do primeiro rapper para abrir a noite que, apesar da fraca aderência, prometia ser memorável.

Kadabra MC, um emergente rapper que veste a camisola da Bloco 4, foi convidado a dar o pontapé de saída. E fê-lo. Não tão bem como era de se esperar. Trouxe um freestyle e ainda arrastou um improviso, mas o pouco público que se encontrava no Franco não reagia com ânimo e foi assim até quando o segundo rapper, Khronic membro das Almas Habitantes foi chamado ao palco. Khronic depois de versão do tema “Passe a Palavra” cantado numa outra instrumental, dando a entender que o seu segundo trabalho discográfico está a caminho, trouxe alguns temas do seu mais recente álbum lançado em 2013, “Tentativa, Queda e Superação”. O ambiente continuava frio, mas, contrariamente, a sala ia ficando com mais niggers. A entrada de Drácula e seu companheiro veio alterar o ambiente.

A plateia reagiu à vozes estrondosas da dupla quando cantou “fica atento neste exacto momento”. Já era claramente certo que se estava num espectáculo de Hip Hop. E foi no seguimento deste momento que um clime de serenidade veio abrandar a sala, era o (ex) membro da Irmandade a entrar em cena.

No seu estilo característico, Tira Teima foi deixando sua mensagem bem explicitas nas mentes dos que estavam presente. Criticas ao comportamento social hodierno ficaram registadas. Versos como: “vamos perder a lucidez, promovendo a nudez na TV/ A vida é feita de altos e baixos e quanto mais baixo mais escasseiam abraços” arrancaram aplausos da plateia que silenciosa ouvia o artista.

Tira Teima não deixou o palco antes de atirar “Wake Up”, um chamamento que de resto foi ouvido, e sentenciou: “Tu és a solução dos teus próprios problemas”. Numa altura em que a sala começava a aquecer, entrou o Presságio que muito pouco fez se não devolver o frio que se sentia inicialmente. Ensaiou mais passos de dança que dropar. Teve uma actuação infeliz.

O também emergente agrupamento Classic La Familia mostrou-se um grupo coeso e com um grande futuro na cena Hip Hop local. Teve uma boa performance evidenciando uma boa coordenação o que era também perceptível através da reacção do público.

Quem surpreendeu foi a rapper Iveth que na companhia do Rage subiu ao palco de calças, coisa que raramente acontece. Aliás, ela mesma chegou a reconhecer ao afirmar: estão acostumados a ver-me a actuar de sair (…). Em termos de actuação, a rapper não alcançou as expectativas, trouxe temas já conhecidos, mas a meio da actuação começou a manifestar algum cansaço.

Kalash esteve também no palco ao lado do seu parceiro das trincheiras Zagalote. O homem do tema “Manifesto” ainda tem muito a dar ao Hio Hop. Não esteve mal, mas havia espaço para melhorar a sua performance. Ficou evidente que a sua voz ainda não ganhou a consistência necessária, algo que poderá se superar com ao longo do tempo e com mais actuações ao vivo. No entanto, é preciso dar nota negativa ao Zaga que, com o papel único de fazer background, não conseguiu estar em altura do seu parceiro.

O AUGE

Quando entrou em cena o grupo Xitiku ni Mbaula o CCFM registou o momento mais alto do espectáculo. A casa parou e rendeu-se à performance de um dos maiores grupo de Hip Hop que temos ao nível nacional. O destacado grupo mostrou que domina a arte de colocar versos por cima de uma instrumental. O público, este, foi excepcional, mas também não podia ser de outra forma o flow dos dois elementos que compõe o grupo estava afiadíssimo.

A maturidade de grupo transbordava pelo palco e era contagiante, quase impossível não reagir ao chamemento das batidas acompanhadas de vozes ….e assistia-se naquele momento uma das melhores actuações do noite. Mesmo se o espectáculo terminasse naquele momento valeria a pena ter ido, mas ainda bem que não terminou, até porque ainda faltava o homem da noite, o Inspector Mórbido.

Antes que o Fuse fosse anunciado com as devidas vénias que lhe são merecidas, foi a vez do Flash Enccy. De tronco nu e micro na mão entrou o Vaccina Boss disposto a fazer daquele noite algo inesquecível. E se não o fez pelo menos contribuiu e muito.

Com o público a beira do orgasmo, depois de uma actuação anterior, Flash fez o que melhor sabe fazer, entrar no palco de forma triunfal e para variar deu o que o público estava a espera – uma actuação que há muito não se via.

No beat que abre a seu álbum “Lavagem Cerebral”, o elemento da Micro 2 sobrepôs letras bem conhecidas e reconhecidas. Primeiro colou o tema “Revolução” e resgatou a famosa frase: a revolução começa no ponto de vista da cada cidadão.

A sua voz poderosa deixava o CCFM ao delírio, depois o seu Freestyle, o mesmo do Mortal Kombat. Arrancou muitos aplausos, a dado momento esqueci que este era o mesmo Flash que fez um álbum inglório, mas esse esquecimento de nada veleu porque as músicas “Lábios de Aurora” foi imediatamente chamada ao palco, trazendo consigo a tristeza que é aquele álbum. Os temas “Vida” e “Liberdade de sonhar” também fizeram parte do elenco.

Estava tudo preparado para entrada em cena do homem da noite, o Inspector Mórbido. Fuse entrou acompanhado pelo rapper angolano Lega C e repou. Trouxe temas assombrosos conhecidos dos tempos já passados e memoráveis e por isso muito recordados. Mas não só cantou, falou da importância de se valorizar o Hip Hop local, os artistas locais. Questionou a fraca presença feminina na sala. A razão de a sala não estar cheia e deu uma dica aos presentes: passar a levar as namoradas para os shows e em contra partida consegue-se a enchente e que mais “damas” se interessem pelo Hip Hop. Fusão ainda deixou alguns versos da Dealema. [MM]

 
 

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